domingo, 24 de agosto de 2014

Artêmia de água doce? (Branchonetas)

Branchoneta (fêmea com ovos)
Olá! Aqui é a Juju! Hoje vou falar sobre as Branchonetas. O que são, para que servem e farei um tutorial para vocês aprenderem a criar em casa. 
É simples, fácil e pouco difundido para variar. Acredito que criadores e vendedores de artêmias salinas não querem que saibam que essas podem ser substituídas tão facilmente.

Mas é isso aí que você leu! Se você é um aquarista responsável e dá uma alimentação balanceada para seu peixe, você provavelmente fornece algumas vezes por semana (dependendo da espécie de peixe que você tem), algum alimento vivo. Muitas pessoas usam as larvas do besouro do amendoim (ou tenébrios) como alimento vivo (clique aqui para saber mais sobre o besouro do amendoim), mas essas não servem para algumas espécies de peixes que necessitam de nutrientes específicos, nem para alevinos por exemplo, pois são grandes para eles.
Então, para peixes mais exigentes ou em época de reprodução ou recuperação de alguma doença, peixes muito pequenos e alevinos, costumam dar artêmias salinas. As artêmias são micro crustáceos de água salgada e são altamente nutritivas. A reprodução desses animais em casa é complicada por alguns fatores, mas principalmente por serem de água salgada. Por isso aquaristas acabam comprando artêmias congeladas.


O QUE SÃO AS BRANCHONETAS: 

Branchoneta (jovem)

É aí que entram as Branchonetas (Dendrocephalus brasiliensis), que também são micro crustáceos, porém vivem em água doce (também são chamadas de artêmia de água doce, em inglês são chamadas de "fairy shrimp"). Na natureza as branchonetas vivem em poças e charcos e existem muitas variedades de branchonetas, de acordo com o local onde vivem e do que se alimentam. Seus cistos(ovos) são adaptados para sobreviver períodos de seca, incidência direta do sol, congelamento, entre outros fatores extremos. Os cistos das branchonetas, por serem mais pesados que a água, vão para o fundo, onde se depositam, misturados aos resíduos. Estes só nascerão se esse material do fundo, o substrato, for secado e posteriormente hidratado. Se for mantido sempre com água não haverá nascimentos dos cistos.

PARA QUE SERVEM: 

O que torna a Branchoneta um ótimo alimento vivo é o fato de substituir muito bem a artêmia salina, atendendo os requerimentos nutricionais da alimentação dos peixes.
Seus náuplios também são muito pequenos, sendo assim podem ser usados na alimentação de alevinos e peixes pequenos. Além disso, sua reprodução é MUITO fácil.


COMO FUNCIONAM AS BRANCHONETAS:
Clique AQUI, para ver o vídeo do ciclo de vida das minhas branchonetas :) vai ajudar a entendê-las melhor.


 COMO CRIAR E REPRODUZIR:
Adquirindo cistos de branchonetas:
Os cistos são vendidos, normalmente, junto com o substrato e detritos do fundo do tanque de criação, ou seja você compra uma pequena porção de substrato contendo os cistos.
Você pode encontrar cistos a venda em lugares como:

1) Mercado livre e outros sites de anúncios. Esse aqui, foi o que EU comprei, recomendo o vendedor: Cistos de Branchonetas Mercado Livre
2) Sites/lojas virtuais de aquarismo, alimentos vivos, petshops, etc. Conheço este site que vende cistos de branchonetas (e muitos outros alimentos vivos ótimos!): PlantasdeAquário.com
3) Lojas e petshops que vendam alimento vivo.
Cistos de branchonetas
Cistos de branchoneta
Eclodindo os cistos:
- Pegue um recipiente pequeno, de 500 ml no máximo, transparente e bem limpo. Coloque 200 ml de água limpa e isenta de cloro (previamente fervida, resfriada e agitada para repor o oxigênio). 
- Providencie uma cobertura de tela para evitar a criação de mosquitos.
Eu gosto de manter o pote de eclosão já direto boiando no aquário 
de crescimento e engorda, assim não me preocupo com a 
temperatura nem com mosquitos, já que o aquário tem tampa.
- Acomode o recipiente, de preferência, um local com luz indireta do sol, ou com bastante claridade. Mas cuidado, pois pode haver excesso de aquecimento e proliferação de algas filamentosas. (Exemplo: na cidade onde eu moro (Rio de Janeiro), a água que fica direto no sol chega a 46ºC (E eu medi isso com o sol de inverno)!!! Para evitar superaquecimento, você pode colocar em uma meia sombra, ou em uma janela ou local bem iluminado. A temperatura máxima para as branchonetas é 30ºC.

- Coloque o substrato com cistos que você adquiriu nesta água. Apenas uma pequena parte dele, para evitar perder todos os cistos em uma semeadura errada. Se der certo, se eclodirem e chegarem à maturidade sem problemas, coloque o resto do substrato para continuar com a produção. 
 - As cascas dos ciscos que forem eclodindo, são mais leves e irão para a superfície da água. Os cistos que são mais densos que a água, irão pro fundo e são quase imperceptíveis a olho nu. Fica mais fácil de ver contra a luz. Uma lente de aumento também ajuda.

- Se a temperatura da água estiver por volta de 29°C e o pH entre 6.5~7.2, as branchonetas começam a nascer em mais ou menos 24 horas (após os cistos serem hidratados). Os nascimentos continuam por vários dias (o que é uma defesa natural da espécie para não morrerem todos juntos caso dê algo errado).
- Olhando o pote contra a luz, ficará fácil visualizar os náuplios das branchonetas. Eles podem ficar até 3 dias nesse recipiente de eclosão, sem alimento. Depois você terá que passa-los para um tanque de crescimento e engorda.
Náuplios de branchonetas recém nascidos (a olho nu)
Náuplio de branchoneta recém nascido (foto com lente macro)

Preparando um tanque de crescimento e engorda para as branchonetas:
- Preparar um recipiente ou aquário com mais ou menos 15 litros de água limpa e isenta de cloro (previamente fervida, resfriada e agitada para repor o oxigênio).
Tanque de crescimento e engorda para branchonetas
- No inverno (ou se você mora em lugar frio, ou se a temperatura aonde você mora varia muito entre dia e noite) você pode colocar um termostato/aquecedor no tanque para manter a temperatura ideal. Temperaturas baixas ou variações bruscas de temperatura irão matar as branchonetas. Mantenha um termômetro no tanque para acompanhar as temperaturas atingidas.
- Coloque no fundo do tanque uma camada fina de areia de rio (não é essencial para a reprodução, mas ajuda na postura e na coleta dos cistos). Lembre de usar areia muito bem lavada.
- Providencie uma cobertura de tela ou tampa para evitar a criação de mosquitos.
- Acomode o recipiente, de preferência, um local com luz indireta do sol, ou com bastante claridade. Mas cuidado, pois pode haver excesso de aquecimento e proliferação de algas filamentosas. (Mesma situação do recipiente de eclosão, cuidado com temperaturas acima de 30ºC).

- O ideal é que esse tanque fique num lugar alto: mesa, bancada, prateleira, para favorecer as sifonagens da água.


Passando os náuplios para o tanque de crescimento e engorda:

- Coloque o pote de eclosão boiando no tanque de crescimento e engorda, por 30min no mínimo para a igualar as temperaturas. (Como mencionado antes, eu mantenho o pote de eclosão sempre boiando no tanque de crescimento para não me preocupar com a temperatura.)



- Depois vá adicionando água do tanque de crescimento e engorda dentro do pote, em pequenas doses, até dobrar o volume de água original. Isto deve acontecer de forma muito lenta, de hora em hora, para que os náuplios se adaptem com segurança ao pH e aos outros parâmetros da água do tanque.

- Por fim, solte os náuplios no tanque de crescimento e engorda.



Alimentando as branchonetas:
- Elas podem ser alimentadas com algas verdes (sem predadores),  spirulina, infusórios, fermento biológico (de padaria), ração fininha para alevinos, etc...

- As Branchonetas se alimentam “filtrando” a água com grande rapidez, deixando tanques infestados de algas verdes (não filamentosas), rapidamente translúcidos (24 a 72 horas normalmente, dependendo do volume de água e da quantidade de indivíduos introduzidos).
- Mantenham sempre culturas de algas verdes de “reserva”. (A minha cultura é uma garrafa de água filtrada com uma colher de chá de bicarbonato de sódio, deixada ao Sol. Toda semana eu passo ela numa peneira fina para manter a água apenas com algas verdes não filamentosas). 

- Lembre-se que o excesso de alimento mata mais que a falta.

Cultura de algas verdes
- Coloque uma pitadinha de spirulina (ou qualquer que seja o alimento que você tenha) num copo/pote com água do tanque para diluir e jogue no tanque. A água vai ficar levemente esverdeada. À medida que a água ficar transparente você adiciona mais alimento.

Spirulina em pó, diluida em água
Coleta de cistos:

- Você pode optar por esperar todos os adultos morrerem (cerca de 4 meses) e só então efetuar a coleta do substrato, aspirando (sifonando o substrato do fundo e colocando-o para secar) ou deixando evaporar o excesso da água, deixando secar o sedimento.

- Outra opção é, de tempos em tempos, coletar por aspiração/sifonagem os resíduos do fundo contendo os cistos (cuidado para não sifonar as branchonetas junto), filtrando em filtro descartável de coador de café e colocando para secar ao sol. (Para não perder muitos cistos que ficam nas entranhas do filtro, o filtro de papel pode ser semeado junto com os cistos no recipiente de eclosão.)


Sifonando o substrato para um filtro de trama muito fina (igual ao de café)
 - Se não quiser usar o filtro, você também pode deixar a água e o material coletado descansando para sedimentar em um recipiente alto e estreito, e depois de sedimentado, tirar o excesso de água e deixar o resto com os cistos secarem por evaporação ao sol.

- Os cistos podem ficar até 4 meses secos esperando para serem hidratados novamente.



Coleta e oferecimento aos peixes ornamentais:

- Aos quatro dias de vida, já é possível coletar formas jovens para alimentar alevinos. Use uma redinha com a tramabem fina.

- Aos oito dias de vida, já é possível coletar formas adultas para alimentação de peixes juvenis.

- Aos vinte dias, quando você perceber que tem um bom número de branchonetas adultas, fazendo posturas diárias no seu substrato, há algum tempo, você já pode começar a colocá-las na cadeia alimentar dos seus peixes adultos. Use uma redinha de trama grande para não pegar junto os náuplios.

Branchonetas adultas ainda com apenas 5mm, coletadas para alimentação.

- Ofereça aos peixes sem exageros, para não distender demais o abdome dos seus peixes. O ideal é oferecer alimento vivo de uma a duas vezes por semana, mas pesquise bem sobre as espécies de peixes que você possui para ver a quantidade e frequência ideais.

Peixe tanictis, se alimentando de uma branchoneta
Veja AQUI o video dos meus peixes comendo branchonetas pela primeira vez.
Tem um artigo bem legal e completo explicando mais sobre as Branchonetas no Planeta Invertebrados, leia aqui. Espero que este post tenha sido de alguma ajuda, e até o próximo! Bjbj!

sábado, 16 de agosto de 2014

Trained Parrot, um achado valioso!

Olá, gente, um post rapidinho hoje, só para eu apresentar o Trained Parrot para vocês e mostrar o video da Hemp, minha Indian Ringneck, pedindo e recebendo carinho :)

Vídeo: clique aqui para ver o vídeo! :)

Gostaria de ressaltar que Ringnecks são psitacídeos bem difíceis de lidar. (Psitascídeos são todos os pássaros de "bico torto", araraas, papagaios, calopsitas, cacatuas, periquitos, etc, etc, etc.) Os Ringnecks não costumam gostar do toque, são mais difíceis de amansar no geral. Foi bem difícil chegar nesse ponto com a Hemp, mas consegui, e fico muito feliz de poder compartilhar isso, tenho uma relação muito legal com ela e gostaria de passar para vocês COMO eu consegui isso, pois vocês também podem chegar lá com os seus pets.

Bom, eu comprei a Hemp da maneira MAIS ERRADA do mundo, não sabia nada sobre o animal, e comprei sem conhecer suas necessidades, comportamento, nada. ISSO É COMPLETAMENTE ERRADO! Eu dei muita sorte de estar no início das férias na época, e tive tempo para estudar muito sobre os Ringnecks. Dei sorte de estar de férias também pois ela tinha apenas 2~3 meses e ainda comia papinha de HORA EM HORA, e eu tive todo tempo pra ir fazendo a transição da papinha para a ração, e esse processo é bem complexo e é necessário que seja VOCÊ a fazer isso, pois é nessa época que o pássaro cria um laço de confiança com o dono. Depois que ele começa a comer sozinho, passa a comer ração e começa a primeira troca de penas, o psitacídeo para por um período "rebelde", como se fosse uma adolescência. Eles ficam um pouco mais agressivos e intolerantes com algumas coisas, e nesse período é essencial que você se aproxime dele, ensine truques, treine, etc, pois isso vai fazer esse período passar de maneira mais fácil e o pássaro não perderá a confiança que criou em você. Por tanto, ao adquirir um psitacídeo filhote, É PRECISO TER TEMPO para se dedicar. E como eu disse, eu dei MUITA sorte. Conheço pessoas que fizeram o mesmo que eu e não tiveram o mesmo tempo para cuidar, estudar e se dedicar ao animal, e o filhote acabou morrendo. Portanto gente, estudem muito e leiam muito sobre o animal antes de comprar, para estarem preparados para sua chegada.

Bom depois de muita leitura, eu encontrei o site Trained Parrot, que é do Michal, o Parrot Wizard. Eu preciso dizer que ele é sensacional, aprendi TUDO que sei sobre psitacídeos com ele e com o site dele, que contém tutoriais, vídeos, artigos, fórum, e mais. Não é propaganda gente, é que realmente mudou minha vida ter aprendido tudo isso, hoje só tenho uma Ringneck mansa e carinhosa que adora ficar comigo, graças à esse estudo que fiz.

Pra ajudar vou citar alguns tópicos importantes, que você terá que estudar para ter um psitacídeo feliz:
- Alimentação
- Comportamento da espécie
- Taming (acostumar o pássaro com você e torná-lo manso)
- Truques e Reforço positivo com clicker training (o modo mais fácil de criar um laço com seu pássaro é lhe ensinando truques)
- Linguagem corporal (cada espécie tem um tipo de linguagem, com o tempo eu aprendi a entender o que a Hemp quer dizer com cada gesto e olhar, quando ela quer carinho, quando ela não quer, etc)
- Espaço (qual o tamanho da gaiola que sua ave precisa, quanto tempo de exercício ela precisa)
- E MUITAS OUTRAS COISAS, tudo isso você encontrará no Trained Parrot. Infelizmente o site é todo em inglês, mas vale o esforço, nem que tenha que traduzir todas as frazes no google tradutor. Pois é um baú de informações valiosas, de graça, de uma pessoa muito boa que realmente entende desses animais :)

Eu pretendo fazer um post maior, sobre psitacídeos em geral, com tudo que aprendi com a Hemp, e trabalhar melhor tudo o que eu disse nesse post, mas por enquanto eu quero apenas apresentar o site em si para vocês, então até o póximo! Bjbj!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Bom, Bonito e BARATA - PARTE2 (Terrário para Barata Gigante deMadagascar)

Como montar um terrário para uma pet Barata Gigante de Madagascar.
Antes de começar, se você ainda não leu o Bom, Bonito e BARATA parte 1, pare aí e leia primeiro! Para conhecer melhor a espécie e pegar mais algumas dicas.


Terrário montado em uma caixa organizadora de 40 litros.

TIPOS DE TERRÁRIO:
Você vai precisar de um recipiente de NO MÍNIMO 30 litros para duas baratas.
Mais pra frente falarei dos itens essenciais que devem estar dentro dele, mas agora vamos focar no recipiente: ele pode ser de vidro ou de plástico, de madeira, tanto faz. Vou falar um pouco de cada tipo para você ver qual o melhor custo X benefício para você.

- Aquários de vidro:


Primeiro terrário que montei. Usei um aquário antigo.
Prós:
> Totalmente transparente, ótimo para observação
> Fácil de limpar/lavar se necessário
> Preço acessível
Contras:
> As tampas dos aquários não são pensadas para fugas de baratas e não tem vedação, e muitas vezes possuem frestinhas propositais para passagem de fios, as baratas facilmente levantam essas tampinhas de vidro e passam por pequenas frestas então é imprescindível o uso de vaselina sólida/branca nas bordas para evitar fugas, com ela você nem precisa de tampa, o que é ótimo para ventilação (falarei da vaselina mais à frente).
> São um pouco pesados e por isso dificultam a limpeza

Historinha: Comecei com esse aquário pois ele já estava aqui em casa sem uso, porém ele tinha apenas 25 litros e estava achando muito pequenininho para minhas baratas. Como eu não tinha dinheiro pra comprar um outro aquário de vidro maior, passei para a caixa organizadora.

- Caixas organizadoras (de plástico):

Caixa organizadora de 40 litros.
Prós:
> Muuuito baratas se comparadas à aquários e terrários prontos (a minha custou uns 30 reais)
> Fácil de limpar/lavar se necessário
> Leves
> Grande abertura, facilita o manuseio dos animais

Contras:
> Tampas NEM UM POUCO vedadas, precisa também da vaselina sólida/branca para evitar fugas
> Perde no quesito observação, já que mesmo as caixas transparentes são meio foscas e dificultam ver seu interior
> Você precisará criar entradas de ar para que não fique muito abafado lá dentro.

Historinha: Na minha (na foto a cima) eu cortei um retângulo da tampa e colei com cola quente um pedaço de tela de mosquiteiro. Super fácil de barato, se quiser ver melhor como eu fiz isso tem fotos do mesmo passo-a-passo aqui no tutorial do besouro de amendoim.

 
 - Terrários próprios para insetos/aracnídeos/répteis:


Terrário de acrílico importado - ebay.com
Terrário de vidro da boyu - www.petcompre.com.br



















Terrário de MDF/Madeira
 Prós:
> Lindos e bem acabados, sem gambiarras
> Possuem visores de vidro, quando não todos transparentes, ótima visualização
>São próprios para estes animais então costumam ter tampas bem vedadas e não precisam de vaselina (e isso adiciona mais um ponto na beleza pois a vaselina "enfeia" o terrário quando fica à vista)

> Podem ser encomendados sob medida para atender suas necessidades de espaço específicas
> Podem vir com trancas (isso é mais importante pra quem mantém animais muito caros como cobras e alguns aracnídeos, no caso das baratas uma tranca é uma inutilidade a não ser que você não confie em alguma criança da sua casa, etc)
Contras:

> Caríííííííiiiiiissimos se comparados com as outras opções, o preço varia muito de acordo com o tamanho
> A maioria, principalmente os todo de vidro ou acrílico, é importada, ou você nem encontra aqui no Brasil, ou se encontra o preço é muito alto.
> Apenas os terrários de acrílico e vidro podem ser usados para montar ambiente extremamente úmidos ou aquaterrários. Os terrários de madeira/MDF aguentam umidade porém não em excesso e não devem ser molhados/lavados.
> A manutenção/limpeza é mais difícil pois além de pesados, tem mais partes pra limpar.

Historinha: A terceira foto, o terrário de MDF é o meu novo terrário. Pois é depois de bastante tempo com as minhas gambiarras baratas eu juntei dinheiro e comprei um terrário descente, encomendei sob medida no Terrário Shopping, custou 290 reais com as medidas: 58x24x30. Sim, bastante caro se comparado às outras opções do post, mas preço justo pelo trabalho bem feito. Eu consegui juntar dinheiro e, para variar, gastei com meus bichos hahah. Eu recomendo muito o vendedor, o produto chegou bem embalado e já veio com leds de iluminação, vc pode pedir pra customizar tudo, tipo de porta, os fechos, a luz, a ventilação, os caras são fera, vale o preço.
Peguei tudo o que estava na caixa organizadora e rearrumei no novo terrário e acho que ficou bem legal!
Meu terrário atual (MDF e vidro)



AGORA VAMOS FALAR DOS ESSENCIAIS (todos os itens que devem estar presentes no terrário para suas baratinhas serem felizes e saudáveis)


SUBSTRATO:
Eu particularmente adoro o pó de fibra de côco. Este é o substrato mais versátil que você irá encontrar, pois ele serve para insetos, caramujos, aracnídeos, anfíbios, répteis e uma infinidade de plantas. Quem cria tarântulas, escorpiões, cobras, etc, costuma usar a fibra de côco, pois ela absorve muito bem a umidade o que evita o aparecimento de fungos e outros problemas.
Prós:
>
É
facilmente encontrado em qualquer loja de jardinagem, chácaras ou mercados e petshops grandes.
Barato
> Para animais que precisam de umidade ele é perfeito, pois retém bem a umidade mas sem ficar empapado e compactado como terra.
> É boa para plantar alguns tipos de plantas, caso você queira um terrário plantado (mas eu recomendo por as plantas em vasinhos separados, para ao regar as plantas não molhar demais o substrato do terrário inteiro).
Fibra de côco (qualquer marca serve desde que seja 100% natural e pura)
Pó de côco (lembre-se que não pode ter fertilizantes nem outros químicos)

DICA: Se você pretende ter plantas vivas nesse terrário, recomendo colocar uma camada de cascalho ou argila expandida no fundo (lembre-se de lavar bem antes de colocar no terrário). Para mais informações leia o post sobre terrários de plantas.

SUBSTRATO PARA COLÔNIAS DE CRIAÇÃO:
Para o pessoal que não vai criar duas baratas de estimação, mas sim centenas para alimento vivo, o mais recomendado é um terrário simples, sem firulas só com o extremamente necessário, para facilitar o manuseio, a manutenção e a limpeza. Nessa área não sou expert pois ainda não tenho uma colônia, mas vou compartilhar com vocês o que eu já estudei poraí:
> Não usar substrato para facilitar limpeza e manutenção, no máximo algumas folhas de papel toalha ou jornal no fundo do terrário para maior conforto.
> Colocar tocas para as baratas se esconderem e diminuir o atrito entre machos. As baratas gostam de ficar juntas mas é importante que possam se esconder se quiserem, o ideal para isso é papelão, algumas pessoas usam caixinhas, ou pedaços rasgados, outras usam tubos de papel higiênico, mas o mais comum que sempre vejo nos vídeos/fotos são aquelas caixinhas de ovos de papelão, pois elas proporcionam vários pequenas "toquinhas".
Colônia de baratas de madagascar - www.nola.com
SUBSTRATO/TERRÁRIO BIOATIVO:
O mais comum nos terrários de fibra de côco é substituí-la de tempos em tempos, a frequência varia de acordo com o animal. No caso da barata (e estamos falando de apenas duas baratas) esse substrato só precisaria ser trocado uma vez por mês ou até mais, uns 3 meses a, PORÉM eu escolhi fazer um terrário bioativo, o que significa que eu nunca precisaria trocar o substrato, ele irá se renovar (pretendo trocar uma vez a cada ano ou dois, a não ser que ocorra algum problema inesperado como proliferação de fungos). 
 
Para isso é preciso colocar no seu terrário animais DETRITÍVOROS, ou seja, que se alimentam de restos de matéria orgânica. Esses animais irão manter o substrato limpo, eliminando os dejetos do animal que mora no terrário e os restinhos de comida que por acaso ficarem no substrato.


Eu recomendo os tatuzinhos de jardim (ou tatu-bolinha de jardim) pois são facílimos de encontrar e serão ótimos faxineiros pro substrato e inofensivos ao morador do terrário. Existem várias espécies de tatuzinhos de jardim e de vários tamanhos e cores diferentes, mas todos farão o mesmo trabalho. 

Historinha: Os meus eu catei nos vasos de planta do meu jardim, é muito comum eles virem com a terra que compramos. 
Tatuzinho de jardim, esécie que encontrei na minha casa.

CÁLCIO:
A Barata Gigante de Madagascar como muitos invertebrados, precisam de cálcio para crescerem saudáveis. O ideal é que esse cálcio seja fornecido na alimentação, porém para evitar a falta dele é interessante fornecer outras fontes. O osso de siba é a melhor delas, você encontra em muitas petshops na área de aves. Recomendo o osso de siba natural, puro (não aquelas pedras/blocos de osso de siba, pois não são o osso puro, esses blocos contém giz, gesso e outras coisas que podem fazer mal ao animal).

Osso de siba natural comprado em petshop
Osso de siba natural comprado em petshop

ESCONDERIJOS:
É essencial que você disponibilize esconderijos para sua barata! Na natureza elas vivem em baixo de troncos, em colônias, no escuro e na umidade. Querer se esconder num cantinho escuro é um comportamento natural da batata.
Você pode colocar pedacinhos de madeira para ela entrar em baixo e se esconder, toquinhas prontas, caixas recortadas, etc.
Aqui eu uso muito aquelas cascas de pinus vendidas para por em vasos de plantas. Algumas são curvas e são ótimos esconderijos. Não use objetos de papelão ou compensados, como alguns feitos para roedores, pois estes irão absorver MUITO a umidade do terrário e podem criar fungos. Pedras, cascas de pinus naturais ou côco são mais indicados. Também existem milhares de opções de toquinhas de plástico, resina, etc. Algumas pessoas até usam pote de sorvete com uma portinha recortada. Nessa parte quem manda é a sua criatividade.
Lascas de pinus
Côco

Toquinha de resina em forma de caveira, essa eu comprei no ebay.com

ÁGUA:
A barata precisa beber água como todos nós, porém ela não irá conseguir beber direto de um pote. Você precisa colocar um algodão na vasilha de água para que ela consiga beber sem o risco de se afogar.
Tampinha com algodão e água
O QUE EU MAIS RECOMENDO para não precisar trocar a água tão frequentemente (o que é ótimo para viajar no fim de semana) é comprar um daqueles bebedouros de pássaros pequenos e por o algodão na saída da água, funciona perfeitamente! Eu troco o algodão quando vejo que elas sujaram ele com substrato, e a água troco apenas uma vez por semana.

Bebedouro com algodão na saída da água
COMIDA:
As Baratas Gigantes de Madagascar comem quase qualquer matéria orgânica como mencionado no post sobre a espécie. Mas tente manter uma alimentação balanceada e seu bichinho viverá melhor e mais tempo. > Forneça todos os dias ração de cachorro ou gato como fonte principal de alimento e proteína. O bom da ração é que dura uns 2 ou 3 dias no terrário diferente dos alimentos frescos.> Duas ou três vezes por semana coloque pedacinhos de fruta, verduras de folhas escuras, cascas de fruta, legumes, etc, para complementar a alimentação das bartaas e fornecer o máximo de nutrientes possíveis. Estes alimentos você deverá substituir/retirar do terrário no mesmo dia para evitar mofo, fungos e moscas.
Recomendo usar um pratinho ou tampinha para por o alimento em cima. Se o alimento entrar em contato com o substrato úmido ele irá apodrecer logo e pode comprometer o substrato.
(Eu uso um pratinho de vidro que comprei no ebay, ele é feito para aliemntar camarões em aquários mas funcionou perfeitamente pra mim, clique aqui para ver o produto no Ebay.)
Comidinhas no pratinho de vidro que eu uso.
UMIDADE E TEMPERATURA:
As Baratas Gigantes de Madagascar gostam de altas temperaturas e bastante umidade. Para quem quer reproduzi-las esses parâmetros precisam ser levados em consideração, em locais frios e secos elas não irão se reproduzir, e obviamente viverão menos. Se você borrifar agua uma vez por dia no seu terrário, manterá uma boa umidade para ela, lembre-se que pra não proliferar fungos você não pode ter um ambiente abafado, nem objetos de papel ou toquinhas muito abafadas dentro do terrário.
Elas gostam de temperaturas entre 25ºC e 30ºC, se você mora em um lugar muito frio, ou que fique muito frio à noite, você pode usar um tapete térmico para esquentar um canto do terrário (não coloque no meio, deixe em um dos cantos para que a barata possa ficar no local mais fresco se ela preferir). Esses tapetes ficam presos do lado de fora do terrário e são fáceis de usar. Infelizmente, difíceis de achar aqui no Brasil. O meu comprei no ebay: Tapete térmico para terrários
.
Se você não encontrar e não quiser esperar 30~40 dias por um produto vindo da China, você pode encontrar em petshops grandes aqui do brasil, pedras e esconderijos aquecidos para répteis, esses também servem, mas são muito mais caros.
Não são itens essenciais (no caso da barata), mas você também pode comprar um termômetro e um medidor de umidade para controlar e monitorar melhor as condições ideais para seu animal. 

Termômetro e medidor de umidade da Exo Terra

PLANTAS:
Para falar a verdade já aviso que as plantas não deram certo para mim, para manter a umidade ideal para as plantas eu precisava de um ambiente muito bem arejado o que não acontece aqui, e quando eu molhava as plantas o terrário todo ficava úmido demais, passava do limite e começavam a aparecer fungos, para resolver isso eu poderia por as plantas em vasinhos/potinhos, separando a água que vai pra planta do resto do substrato, porém eu estava sem tempo para cuidar do terrário em si e resolvi tirar as plantas no final. Quem sabe mais à frente eu tente de novo.
Algumas opções interessantes:
> Se você não quer ter trabalho quase nenhum e não quer nem pensar em ter problemas com fungos, planta uma suculenta (aqueles cactos que não tem espinhos), são bonitos, e não precisam de rega frequênte, alguns ficam um mês sem precisar ser regados.
> Para terrários bem úmidos você pode considerar musgos que
irão aproveitar o ambiente úmido, irão reter a umidade ajudando a mantê-la no terrário e não são tão difíceis de manter.
> Lembre-se que as baratas podem acabar comendo ou destruindo qualquer planta que vocês coloque lá. Lembre-se o terrário é para seu bichinho, se as plantas não derem certo retire-as, nunca coloque fertilizantes e outros químicos para as plantas pois são tóxicos para os animais!
  

Musgo bola (esquerda) e musgo encontrado no meu jardim (direita).

À PROVA DE FUGAS - VASELINA:
Se o seu terrário vem com uma daquelas tampas especiais, bem vedada e com ventilação, ótimo. Mas se o seu terrário não possui tampa, ou não possui uma tampa que vede muito bem, para evitar fugas basta usar vaselina sólida/branca.
A vaselina branca pode ser encontrada em várias lojas, de construção, farmácias, mercados, etc. Eu comprei essa na Redelease.
Com 2 dedos de vaselina por dentro do terrário, perto ta abertura, a sua gigante de Madagascar nunca conseguirá sair.
Eu recomendo também colocar um dedo de vaselina (uma camada fina e imperceptível) na base do terrário, para evitar que formigas entrem nele para comer a comida da sua barata.

Historinha: Aqui em casa eu tenho um sério problema com formigas elas comem a ração do cachorro, do papagaio, das baratas, elas comem até você se deixar hahaha. A vaselina branca resolveu meu problema todos os potes de ração agora tem um dedinho disso em volta e pronto.


Vaselina sólida para evitar fugas.
Se você achar que a vaselina deixou uma aparência meio feia no seu terrário, há diversas maneiras de esconde-la. No caso do terrário no aquário de vidro, eu consegui esconder a vaselina com uma faixa de contact colorido no topo para dar acabamento. 




Bjbj e espero ter ajudado! Até o próximo!

Manga também manda beijos!




sábado, 9 de agosto de 2014

Como cuidar da sua Planta Carnívora

Drosera (Drosera burmannii)
Olá, aqui é juju! Hoje vou ensinar a você tudo o que eu sei sobre as plantas carnívoras. Como vocês sabem, para mim, planta também é pet e merece todo o cuidado e dedicação que qualquer pet merece.
Antes de falar mais, vou avisando, NÃO SÃO PLANTAS FÁCEIS DE CUIDAR! Devo dizer que a planta carnívora é especial. As plantas carnívoras, como seu nome sugere, comem animais, em geral insetos mas existem espécies maiores que acabam comendo até vertebrados como anfíbios e pequenos roedores!
O que faz essa plantinha fascinante parecer "mais viva" que outras plantas é o fato de você poder assistir a ela comendo, o que passa a sensação de vida e movimento.

Bom, então vamos falar sobre o que essas plantinhas precisam para viver. Em sua maioria, as necessidades das plantas carnívoras são parecidas, porém cada espécie tem exigências próprias quanto ao solo, umidade, regas, sol, etc. As Nepenthes, são um tipo de planta carnívora que costuma preferir solos mais aerados, mas existem variações grandes de necessidades até entre as espécies, existem algumas nepenthes que precisam de muita umidade outras menos e por aí vai.

Ess post será bem generalizado pois eu também estou começando agora, porém já deixo aqui a dica, tire fotos da planta que você adquiriu, poste em fóruns e grupos sobre carnpivoras no facebook e identifique a espécia, assim você poderá dar a ela todos os cuidados e condições ideais!
RECIPIENTE:
Vou falar sobre dois sisteminhas práticos onde você poderá criar suas carnívoras:
Vasinhos de plástico
- Sistema de tabuleiro:
OBS: Não serve para Nepenthes, as Nepenthes não gostam de ficar "sentadas" na água, nesse caso basta você perdurar o vaso da nepenthes em algum lugar e não precisa nem de pratinho, mas lembre de manter ela sempre úmida, apenas não precisa estar encharcada.

Sabe aqueles vasinhos de planta comuns que vem com pratinhos? Ao invés dos pratinhos, você irá usar um TABULEIRO com água e colocar todos os vasinhos de plantas carnívoras que você tem nesse tabuleiro (tambem serve um pato de jardineira, pois são compridos e cabem vários vasinhos). Assim elas irão partilhar da mesma água e a água durará mais tempo pois demorará mais para  evaporar. O tabuleiro ainda tem o bônus de refletir luz para as plantas (caso ele seja metálico, se for um prato de jardineira ou um tabuleiro de plástico, opte pela cor branca pois também irá refletir bastante luz). Dois dedos de água no tabuleiro assegurarão a umidade necessária para espécies como Droseras e Dionéias se mantenham vivas e vívidas por muito mais tempo.
(Este é o sisteminha que vou mostrar nesse tutorial, pois é o mais indicado pelos entendedores.)
Tabuleiro comum de metal
Prato branco de jardineira - 80cm
- Terrário embutido: Tem o mesmo princípio de um terrário de plantas comum mas você não irá colocar as plantas direto nele, irá colocar elas COM O VASINHO dentro do substrato do terrário, como se "plantasse" as plantas junto com o vaso. Visualmente ficará parecido com o terrário comum, mas qualquer problema com doenças, fungos, pragas, etc, você tem as plantas separadas em vasos individuais e poderá manipulá-las com menos dificuldade.

CAMADAS DO SUBSTRATO:
Esse substrato que vou mostrar para vocês é um substrato muito versátil, ideal para várias espécies de plantas carnívoras. Não se esqueça que algumas espécies tem necessidades especiais e exclusivas como mencionado no início, leia bastante sobre a espécie que irá cultivar antes de continuar.

O vaso será composto por algumas "camadas" e cada uma tem uma função importante. .

- A primeira camada será o CASCALHO. O cascalho irá permitir uma boa drenagem da água, irá ajudar e facilitar o crescimento das raízes E irá impedir que o substrato fique em contato direto com a água, se isso acontecer, ele ira apodrecer e exalar um odor e poderá até matar suas plantas a longo prazo. O cascalho deverá ficar no fundo.
Qualquer cascalho serve, quando maior o grão, melhor a drenagem, você também pode usar argila expandida ou outros tipos de pedra.
Antes de colocar no fundo do vaso, LAVE MUITO BEM o cascalho, principalmente se você for usar argila expandida, pois podem conter minerais que são letais para as plantas carnívoras. Coloque eum um balde ou bacia de molho por algumas horas e depois lave até a água sair límpida.

Argila expandida
Lavando argila expandida até a água sair limpa
Argila expandida no fundo dos vasinhos
- A segunda camada é mais necessária em terrários (mini pântanos), que é o CARVÃO ATIVADO. Para os vasos com pratinho/tabuleiro de água não é obrigatório.
Por conta do excesso de água há uma grande proliferação de fungos nas raízes da planta o que pode ocasionar mal cheiro e apodrecimento, o carvão ativado servirá como um tipo de filtro e evitará tais problemas.

- A terceira camada é o principal, é onde você irá plantar sua planta carnívora. Eu particularmente gosto de usar uma mistura que mostrarei mais à frente.
As plantas carnívoras habitam pântanos de solo pobre e sem nutrientes na natureza, por isso desenvolveram ao longo dos milhões de anos uma outra forma de conseguir nutrientes como o nitrogênio: comendo insetos.
Por serem nativas de pântanos elas exigem um ambiente muito úmido, algumas espécies exigem até que o substrato seja encharcado, outras nem tanto.
Isso tudo significa que você NÃO poderá mantê-la em terra comum de jardim nem húmus de minhoca. Primeiro porque ela irá morrer devido a "overdose" de nutrientes e minerais, segundo porque que ao manter a terra úmida demais ela irá virar uma papa encharcada e compacta, isso resultará em: desenvolvimento de fungos, raízes apodrecidas pela falta de drenagem da água e dificuldade no desenvolvimento das raízes e da planta e eventualmente, na morte da planta.
A planta carnívora em geral deve ser plantada em substratos pobres em nutrientes, ácidos, aerados, fofos, que retenham bastante umidade mas que não fique compactados pela água.
Existem várias misturas generalizadas, e existem misturas ideais para cada espécie de planta como já falei anteriormente. A fibra de côco, a turfa,  as lascas de pinus (substrato pra orquídea), perlita, vermiculita e musgo esfagno costumam aparecer muito nessas misturas. A mistura que eu escolhi usar nesse tutorial é a mistura de um pouco de perlita (uns 10%), 60% de musgo esfagno e uns 30% de areia lavada. A concentração de cada item irá variar de acordo com cada espécie. Se precisa ser mais aerado e menos encharcado, coloque mais areia e cascalho, menos musgo, e vice e versa. Outra mistura que gosto muito é uns 80% esfagno com 20% pó de côco ou turfa. Mas, de novo, vai depender da espécie (sim vou repetir isso mil vezes haha).

Musgo Sphagnum Seco (Esfagno Seco).
Musgo Sphagnum seco

Primeiro você deve cortar, picotar, o musgo Sphagnum seco para que não crie resistência quando as raízes das plantas crescerem.
Segundo, para matar quaisquer germes ou bactérias que prejudicam as plantas e possam vir no musgo Sphagnum seco, coloque a quantidade de musgo que irá usar num recipiente com água até que ele atinja a máxima absorção e o coloque no micro-ondas por alguns minutos. Espere esfriar antes de usar. (OBS: Muitas vezes o musgo esfagno volta a vida quando fica na umidade, porém se você for esterelizar ele no micro-ondas por exemplo, isso não irá acontecer, mas você pode comprar esfagno vivo/fresco para botar por cima de tudo em volta da planta, da um aspecto muito legal E natural.)



Musgo Sphagnum hidratado
Se você não conseguir esse musgo ou não puder comprar, você pode usar fibra de côco (ou pó de côco), estes não tem os nutrientes que a terra comum tem, é aerado e também retém bem a umidade (não tão bem quando o musgo, mas retém).

Fibra de côco
Pó de côco
Areia de rio
Você irá misturar a areia de rio ao musgo Sphagnum picotado, mas antes você precisa LAVA-LA MUITO BEM, assim como o cascalho e a argila expandida, a areia de rio por mais neutra e pura que seja, pode conter minerais letais as plantas carnívoras, portanto, não deixe de lava-la bem.
A areia de rio que usei nesse tutorial comprei em uma petshop na parte de aquarismo, mas você pode encontrar mais barato em casas de construção. Areia de filtro também serve, porém é mais cara.

Areia de rio
Perlita (ou Vermiculita)
Esses são complementos que você pode adicionar ao substrato principal. São insumos para acelerar e facilitar a germinação de sementes e o crescimento das plantas carnívoras. Ambos servem para aerar mais o substrato e reter ainda mais umidade. A vermiculita é mais leve porém absorve menos umidade. Já a perlita absorve e armazena várias vezes o seu tamanho em água.

Perlita

Mistura completa (areia de rio, musgo Sphagnum e perlita)


- Quarta camada (Opcional). Você pode colocar um punhado de musgo Sphagnum VIVO (verde) em cima de tudo em volta da sua planta, ele reterá mais umidade ainda e impedirá que a água do resto do substrato evapore tão rápido. Além de dar um aspecto muito bonito e natural pro vaso da planta.

DICA ÚTIL: O musgo sphagnum seco NÃO ESTÁ MORTO. Você pode fazer um processo para fazê-lo "voltar à vida". Pegue um pouco do musgo e coloque em um recipiente transparente, ou um saquinho ziplock lacrado, com bastante água, e deixe-o no sol. Pode demorar bastante mas eventualmente ele irá ficar verve vivo! Esse musgo sphagnum fresco é ideal para cobrir o substrato dos vasos e evitar que a agua evapore tão rápido.

Processo para "reviver" o Sphagnum

PLANTIO:
Depois que seu vaso estiver pronto, basta colocar sua plantinha no substrato, enterre suas raízes e regue.
Se você comprou sementes de planta carnívora ao invés da planta, você pode pôr as sementes no substrato pronto (não enterre as sementes) e regar. Espere que elas germinem. As sementes demoram em torno de 25 a 90 dias para germinarem, podem até demorar mais que isso mas é incomum.


Drosera plantada.

As sementes exigem muita umidade para germinar então se quiser acelerar e garantir a germinação, você pode usar essa técnica: coloque musgo Sphagnum picado/triturado num potinho pequeno com bastante água e tampado para manter a umidade. Não deixe o potinho na luz direta do sol para não cozinhar as sementes. Abra o pote algumas vezes por dia para arejar e evitar surgimento de fungos.

Semente de Dionéia
Semestes de Dionéia no musgo Sphagnum com bastante água
Recipiente tampado com sementes para germinação
SOL:
As plantas carnívora, em geral, gostam de muito sol, se sua planta carnívora nunca receber luz solar ela irá melar e morrer. Algumas vão gostar de sol direto i dia todo como a maioria das Dioneias e outras irão preferir meia sombra como algumas Nepenthes.


Recomendo regar sempre à noite, ou à tarde depois do pôr do sol, para que o calor do sol não esquente a água do vaso e cozinhe as raízes da planta.
 CUIDADO ao regar e borrifar Droseras, nunca jogue água em cima da planta, pois pode dissolver sua cola/muco.

Você pode notar que sua planta carnívora está sentindo falta do sol se ela estiver toda verde. Com a quantidade ideal de luz do sol, o interior de suas armadilhas se torna vermelho. Se você comprou uma planta carnívora e ela veio assim, toda verde (com falta de luz solar), não coloque-a direto o dia inteiro no sol, vá aumentando a exposição ao sol, cada dia meia hora a mais, para ela ir acostumando gradativamente.

Dionéia totalmente verde = falta de Sol
Dionéia começando a ficar com o interior vermelho devido ao Sol
ÁGUA:
As plantas carnívoras são sensíveis quanto a água que você usa para regar e borrifar o substrato, nunca use água da bica direto, pois contém cloro, nutrientes e minerais que podem matá-la. Não utilize água mineral.
- O ideal é água da chuva (ou água destilada) então assim que chover coloque potinhos e baldes para coletar essa água pois você irá precisar dela.
- Se onde você mora não chove muito você poderá comprar água destilada, mas sai caro a longo prazo, pois você vai regar todo os dias. Você também pode pegar a água filtrada (a que você bebe em casa) e FERVER a água, não será tão pura quanto a água destilada mas serve, LEMBRE de deixar esfriar completamente antes de jogar na planta!
- Uma outra técnica prática e que funciona, é encher um balde com água filtrada e colocar um pano em cima dele. Deixe a água descansar em algum canto da casa. O cloro evapora todo em torno de dois dias, durante esses dois dias, mecha a água uma vez por dia e recubra com o pano. No final desses dois, três dias, a água já estará boa para usar na rega.


REGAS:

A quantidade e frequência de regas é muito relativa, pode variar de acordo com o tamanho do vaso, da quantidade de horas que fica ao sol e principalmente da espécie de planta carnívora que você tem.
 Para Dionéias, Droseras e Sarracnias, a rega costuma ser diária. No inverno quando a temperatura abaixa, as regas precisam ser diminuídas, mas não interrompidas, pois essas plantas entram num estado de dormência onde precisam de menos umidade e menos nutrientes.
Já Nepenthes e Cephalotus normalmente preferem regas dia sim, dia não.
O importante é manter o substrato sempre úmido, e o pratinho/tabuleiro de água sempre com pelo menos 2 dedos de água (com excessão da maioria das Nepenthes, que precisam estar sempre úmidas mas não gostam de ficar encharcadas em cima de pratinhos com água).

COMIDA:
Se a sua planta fica ao ar livre, do lado de fora da casa, ela irá se alimentar naturalmente.
Agora, se você mantém ela dentro de casa, pode precisar alimentá-la. Jgar um inseto ou outro na armadilha da planta, mas não exagere, elas não precisam de comida demais para adquirir todo o nutriente que precisam para crescer.
MUITO CUIDADO: Quem tem planta carnívora, principalmente quem acabou de adquirir uma, mal pode esperar para ver suas armadilhas em uso, mas NÃO BRINQUE COM AS ARMADILHAS. No caso das Dionéias por exemplo, cada armadilha tem uma vida útil curta, ela pode se fechar de 3 a 4 vezes e demora em torno de 3 dias para abrir de novo, elas gastam muita energia para se fechar. Depois ela apodrece e morre dando lugar para novas armadilhas nascerem (recomendo que você corte fora as armadilhas que se tornaram pretas, bem perto da base da planta, para que a ela se renove mais rápido e com mais facilidade, no caso de Nepenthes que tenha vasos secos/mortos, basta cortá-los na haste, o mais próximo da folha que o gerou.)
Se quiser alimentar sua planta, prefira animais que irão entrar nas armadilhas por contra própria, mas se quiser pode colocar algum animal lá dentro como um tenébrio, larva de besouro do amendoim, etc..(nunca dê um animal morto à sua planta, pois os movimentos do animal tentando se libertar são importantes para o processo da digestão. E acho que não preciso dizer isso mas por via das dúvidas: nunca dê um inseto morto ou atordoado por inseticida pois irá intoxicar a planta e ela irá morrer.)

Vídeo da minha Dionéia comendo um tenébrio pequeno: http://youtu.be/2aNl0n1Xx7s
minha Dionéia comendo um tenébrio

DORMÊNCIA:
As plantas carnívoras, em sua maioria, entram num período de dormência durante o inverno, esse processo é complicado e ainda estou aprendendo sobre ele. O básico, que voce precisa entender, é que todas elas vão ficar menos ativas no inverno, vão precisar comer menos, vão precisar de menos regas e vão ficar mais "feias", algumas espécies sofrem menos com o inverno, como as Nepenthes, já as Dionéias parecem até estar mortas durante o inverno, mas não se preocupe é normal, e assim que acabar o inverno e os dias quentes voltarem, sua plantinha irá lançar novas folhas, maiores e saudáveis! Algumas pessoas, que moram em locais muito quentes com quase nenhuma alteração de temperatura, simulam o "inverno" rigoroso colocando a planta na geladeira ou congelador por alguns meses, mas não sei bem se isso é recomendável, nem por quanto tempo, é preciso estudar mais esse assunto.
Bom, aqui está um exemplo, uma Sarracênia que comprei durante o inverno e se manteve meses meio murchinha, sem crescer, sem aparição de novas folhas, parecia estar morrendo, mas agora que estamos saindo do inverno e entrando na primavera, e os dias estão esquentando, ela lançou uma nova folha, beeem maior que as outras, é o que acontece quando elas "Acordam" da dormência.

Sarracenia saindo da dormência
CRÉDITOS:
Todas as informações aqui descritas eu adquiri de sites da internet (links abaixo), da minha avó Sylvia Helena que é uma das maiores conhecedoras de plantas que conheço, e do Rodrigo Teich, um colega de faculdade que coleciona e cultiva plantas carnívoras e pôde me ajudar muito com essas informações e dicas.

ÚTEIS:
- Blog as carnívoras
- Site Karnivoras
- Agora estou comprando musgo esfagno vivo e plantas carnívoras com o criador Marcos Ono, eu super recomendo ele, me atendeu muito bem e tem sempre um preço justo.
- Grupo "Plantas Carnívoras - Brasil" do facebook, onde você pode encontrar vários outros ótimos criadores/vendedores e tirar dúvidas com o pessoal.

Minhas plantas carnívoras no sisteminha de tabuleiro.

Espero ter sido útil e pesquisem bastante sobre suas plantinhas e sobre suas espécies! Bjbj!!